O TESTE DO GURU


O Teste do Guru


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Se sete ou mais dos ítens desta lista forem descritivos do seu guru ou mestre espiritual, existe uma grande chance dele não ser tão iluminado quanto alega. Ainda, você corre o risco de estar se relacionando com alguém potencialmente nocivo.
O teste do guru pode salvar vidas, literalmente. Verificamos com preocupação o aparecimento nos dias atuais de “líderes espirituais” com perfil despótico e sectário.
Esses falsos gurus podem ser um enorme perigo para a saúde mental e emocional daqueles que tiverem o infortúnio de cair em suas mãos. Para ajudar o leitor a dissipar dúvidas, elaboramos este teste, que você poderá aplicar se for o caso.
Esclarecemos aqui que o teste não foi elaborado tendo em consideração uma única pessoa, mas padrões de conduta que se repetem e que podem ser facilmente identificados.
Se sete ou mais dos ítens abaixo forem descritivos do seu guru ou “mestre” espiritual, existe uma grande chance dele não ser tão iluminado quanto alega. Ainda, você corre o risco de estar se relacionando com alguém potencialmente tóxico para você e para seu caminho.

1) Alardeia da própria “iluminação”.
Os verdadeiros iluminados, via de regra, sequer mencionam o fato de serem iluminados. Isso é absolutamente desnecessário.
Os wannabes, aspirantes ou falsos mestres sim, acham que essa declaração seja necessária para que as pessoas os vejam como iluminados, já que não têm outra coisa para mostrar aos seus seguidores.
Celebrar a data de aniversário da própria “iluminação” ou criar rituais em torno desse suposto fato são maus sinais. A iluminação não é um evento que admita uma limitação desse tipo no tempo-espaço.
Falta de naturalidade no discurso, na linguagem gestual ou na maneira de expressar-se podem ser sinais de falta de realização pessoal nesse campo.
2) Fala mais sobre si mesmo do que sobre os caminhos que conduzem o estudante à libertação.
Este tipo de líder, não tendo grande coisa a ensinar, fica dando voltas em torno de alguma hipotética descrição de um estado de bem-aventurança que estaria “além da mente”, ao invés de se focar na maneira de lidar com ela, por pura ignorância sobre como fazer essa tarefa.
Se o “guru” em questão alega ter algo que você não tem, se alega possuir algum poder especial ou fizer alguma promessa no sentido de que você irá tornar-se no futuro algo que você não é agora, afaste-se dele.
3) Não suporta ser criticado.
Os falsos mestres odeiam ser criticados ou ter seu ensinamentos questionados. Eles não suportam questionamentos de “não iluminados” ou “pessoas de nível energético inferior”.
Frequentemente proíbem perguntas em palestras e fogem ao diálogo aberto. Perseguem e processam obsessivamente ex-alunos, para que estes calem sobre os seus abusos e atropelos.
4) É prepotente e age como se as leis não valessem para ele.
Algumas instituições são geridas como campos de concentração, onde as pessoas são controladas em seus mínimos movimentos, ao mesmo tempo em que extorquem quantiosos donativos.
Espionagem, emails vasculhados, privacidade invadida e conversas gravadas sem autorização são alguns dos elementos através dos quais este tipo de “mestre” manipula os seus seguidores. Por outro lado, um “círculo interno” cuida muito bem de impedir que informações inconvenientes vazem.
5) Não pratica o que prega.
Frequentemente, este tipo de líder deixa na mão e algum representante a incômoda tarefa de ensinar técnicas como āsanaprāṇāyāma, meditação e outras. Se, ainda a prática que ensina exigir esforço físico, é certo que ele não irá praticar pessoalmente, e nunca irá demonstrar, aquilo que faz parte do seu próprio ensinamento.
6) É fashion.
Falsos gurus se apresentam frequentemente de maneira excessivamente glamorosa, tanto em fotografias como ao vivo.
Tenha cuidado com “mestres” que distribuem fotografias próprias ou circulam vestidos de maneira exótica e à la mode. Sobre tudo, se forem ocidentais.
Desconfie de categorizações, níveis de discipulado, círculos internos, áreas VIP e divisões desse gênero entre alunos ou discípulos. Esse tipo de fragmentação é totalmente nociva e contrária à busca da liberdade.
7) Vive na opulência.
Não há nada de errado com a prosperidade. No entanto, quando recursos que não tiverem sido doados com a finalidade específica de sustentar o modo de vida do líder (coisa que nenhum falso mestre irá admitir, aliás), mas forem usados para esse fim, há algo de errado na situação.
Apesar de, muito frequentemente, falar sobre a importância de uma vida simples, falsos mestres gostam de luxo, carros e roupas caras, e só viajam em primeira classe, às custas alheias.
8) Encoraja ou permite o culto da própria personalidade.
Falsos mestres se alimentam da submissão dos seus seguidores, seja psicológica, seja físicamente. Quando isso acontece, os seguidores estão sujeitos a sofrer abusos de todo tipo.
Evite grupos nos quais o foco esteja mais na figura do líder do que no próprio ensinamento. Muito frequentemente, estes grupos não têm muito mais para oferecer além do culto ao mestre.
9) Exige devoção cega dos seus discípulos.
Afaste-se de um “mestre” que exiga adoração ou devoção cegas. Apreço e afeição reais pelo mestre vêm naturalmente com o tempo e o convívio, se for o caso. Nunca podem ser impostos no início de uma relação desse tipo.
10) Ministra cursos miraculosos e caros, que irão “mudar a sua vida”.
É muito improvável que você possa se iluminar num curso de fim de semana, por mais pomposo que seja o título. Desconfie de certificados pomposos, que somente visam a lhe obrigar a fazer mais cursos e gastar mais dinheiro.
11) Ensina o “segredo” da abundância ou do sucesso.
Um mestre espiritual não perde tempo com estas futilidades. Um mestre de verdade ensina a viver uma vida significativa e feliz. Isso não tem nada a ver com ficar rico rapidamente ou fazer sem trabalhar.
Nada contra a prosperidade, mas esse discurso não deve vir associado à espiritualidade, à religião ou ao Yoga, pois nada tem a ver com estes assuntos.
12) Apresenta sua instituição como sendo “sem fins lucrativos”.
Alguns falsos gurus governam com mão de ferro, muitas vezes através da presidência vitalícia, instituições que aparentemente não têm fins lucrativos, mas que são verdadeiras máquinas de gerar e lavar dinheiro.
Alguns desses “profetas” têm sérios problemas com o fisco, que se cuidam muito bem de mostrar.
13) Procura se rodear de pessoas jovens, ricas e bonitas.
Para realizar o objetivo listado no próximo ítem, os falsos mestres fazem propaganda entre pessoas jovens, que ainda não têm o espírito crítico devidamente amadurecido, e ao mesmo tempo escohem os mais belos para seu séquito.
Um mestre de verdade ensina a quem lhe pedir o autoconhecimento, independentemente da idade, a classe social ou a beleza física.
14) Usa sexualmente seus seguidores ou seguidoras.
Este é um dos aspectos mais assustadores e danosos da relação distorcida entre um falso mestre e seus discípulos ou discípulas, e acontece com muito mais frequência do que muitos admitem.
Alguns sujeitos desta categoria chegam a oferecer uma transação de sexo por iluminação, da maneira mais explícita.
o teste do guru
Bikram Choudhury é o cliché do falso guru criminoso: condenado em vários processos por abuso sexual e discriminação, fugiu dos EUA em 2016.
15) Faz com que os seguidores se sintam especiais.
Esse tipo de adulação do discípulo é uma maneira muito hábil de garantir a sua fidelidade cega e inquestionável ao “mestre”.
A pessoa passa a achar que faz parte do seleto grupo dos “eleitos” e, a partir daí, torna-se escrava do líder.
16) Gosta de encher linguiça.
Uma platéia devotadamente cega é capaz de ficar horas ouvindo o “iluminado” falando abobrinhas e sair do auditório extasiada com a “profundidade” do discurso.
Exerça o espírito crítico ao ouvir uma palestra ou aula gravada sobre algum método que supostamente conduza à iluminação.
17) Não se ocupa pessoalmente de escutar ou falar com seus discípulos.
Se o “mestre” não tem tempo para dedicar ao discípulo, ou se não mostrar nenhum tipo de interesse nele ou no diálogo com ele, isso é um péssimo sinal. Se você tiver que estudar o ensinamento dele através de livos, mal sinal também. Fuja!
18) Ostenta títulos pomposos.
O falso mestre não se contenta com ser apenas um “iluminado”: ele ainda sente a necessidade de usar títulos pomposos, que são vazios e, muitas vezes, falsos.
Fuja de “mestres” com currículos muito extensos ou que precisem de mais de uma linha abaixo do nome para colocar seus títulos.
Fuja daqueles que alegam liderança de organizações com nomes pomposos mas totalmente desconhecidas, como o camarada que alega ser o Presidente da Federação Integaláctica dos Profissionais do Sistema X, ou outras igualmente ridículas.
19) Alardeia haver resgatado algum conhecimento “milenar” ou criado algo “revolucionário”.
Falsos mestres tentam patentear nomes sânscritos, maneiras específicas de traçar algum símbolo sagrado ou alegam possuir propriedade intelectual de algum tipo de conhecimento, técnica ou sistema de meditação.
Se apresentam, assim, como proprietários exclusivos de algum aspecto da espiritualidade que, a rigor, não tem dono.
20) Alega pertencer a alguma linhagem “ancestral”.
Como em alguns círculos espirituais acredita-se que pertencer a uma linhagem seja essencial, frequentemente o falso mestre apresenta-se como o representante de alguma linhagem “tradicional”, que estaria conectada com alguma corrente de discipulado ancestral.
Se você não conseguir verificar essa conexão por outros meios, ou se o líder alegar que ele aprendeu por telepatia ou em sonhos com outro mestre famoso, porém desencarnado, fuja também!
21) Gosta de uniformes, sinais secretos e distintivos.
Alguns falsos profetas adoram obrigar seus seguidores a usarem uniformes, cores, classificações, distintivos e outros sinais de identificação, pois isso os faz se sentirem poderosos.
Assim, inventam coisas ridículas, como maneiras específicas de segurar uma xícara no bar da esquina, que servem como sinais de reconhecimento por parte de outros membros da seita que eventualmente estejam passando pelo lugar.
Esse tipo de líder tem, igualmente, fascínio por autoritarismo, paradas militares, condecorações, medalhas, armas, exércitos e outras baboseiras.
22) Admite a formação de uma hierarquia ao seu redor.
Falsos mestres adoram se cercar de pessoas que sirvam como um escudo, para evitar constrangimentos como o de não conseguir responder as perguntas de alguém que possa chegar perto.
Mestres verdadeiros permanecem sempre acessíveis.
23) Vê inimigos em toda parte.
A mania de perseguição de alguns mestres de mentira beira a paranóia. Andam armados, em carros blindados, ou tomam excessivos cuidados com a própria segurança. Afaste-se de pessoas desse tipo.
24) Têm um enorme contingente de ex-seguidores indignados.
Esta é uma indicação de que algo está muito errado com o “mestre” em questão. Um mestre de verdade ensina através da compaixão e do amor.
Esse tipo de metodologia, embora sem ser atraente para todas as pessoas, provavelmente tampouco irá despertar ódio ou indignação naqueles que não se sentem identificados com a proposta em questão.
A reação indignada de ex-alunos ou ex-discípulos só se explica quando essas pessoas sofreram abusos, ou ficaram com a sensação de terem entregado os melhores anos das suas vidas, ou todos seus recursos financeiros, ou a sua energia sexual, a um déspota abusivo e cruel.
Um mestre de verdade irá desencorajar qualquer aluno que tente colocá-lo num pedestal.
25) Age como um demente.
Se o seu “mestre” tem rompantes irracionais, ataques de fúria ou outras explosões que você possa considerar anormais ou patológicas, provavelmente é mesmo um esquizofrénico ou um psicótico que conseguiu estruturar a própria loucura.
Fuja dele. Lembre que a sabedoria é a arte do equilíbrio, e que um mestre deve ser o espelho desse equilíbrio.
॥ हरिः ॐ ॥
Se você achou útil o teste do guru, leia igualmente Teste: Estou numa Seita?
Mais sobre o perigo dos falsos gurus aqui: Abusos Sexuais no Yoga
O excelente website GuruMag, da jornalista Anke Richter, tem dossiers, informação verdadeira e relevante sobre muitos desses falsos gurus.
॥ हरिः ॐ ॥

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